Além de Christa Pike: relembre casos de condenados à morte que sobreviveram a tentativas de execução por injeção letal nos EUA
01/10/2026
(Foto: Reprodução) Mulher sobrevive a execução por injeção letal no Tennessee, nos EUA
A surpreendente sobrevivência de Christa Pike, que permaneceu viva mesmo após receber duas doses de pentobarbital durante uma tentativa de execução no Tennessee, reacendeu o debate sobre um dos métodos mais usados de pena de morte nos Estados Unidos.
Até então, os casos mais conhecidos de pessoas que sobreviveram a tentativas de execução por injeção letal estavam relacionados principalmente a dificuldades para encontrar uma veia, o que impedia a administração adequada dos medicamentos.
Dois dos casos mais conhecidos, porém, tiveram um desfecho diferente anos depois: os condenados acabaram executados por outros métodos. Saiba mais abaixo.
⚠️ Atenção: o texto a seguir pode ter relatos sensíveis e perturbadores.
Christa Pike (Tennessee, setembro de 2026)
Condenada pelo assassinato de uma colega de escola técnica em 1995, Christa Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Na noite de quarta-feira (30), ela recebeu duas doses de pentobarbital, droga utilizada pelo estado em execuções por injeção letal. Ainda assim, permaneceu viva.
Testemunhas relataram que Pike continuou respirando e emitindo roncos após a aplicação dos medicamentos. Mais tarde, ela foi retirada da penitenciária em uma ambulância e levada para um hospital. O governador do Tennessee suspendeu as execuções no estado até o fim do ano e determinou a abertura de uma investigação independente.
Segundo o Death Penalty Information Center, ninguém havia sobrevivido após receber efetivamente as drogas usadas em uma execução.
Quem é Christa Pike
Tennesse Department of Corrections/BBC
Thomas Eugene Creech (Idaho, 2024)
Em 2024, Thomas Eugene Creech, então com 73 anos, também sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal em Idaho.
A execução foi interrompida após cerca de uma hora e oito tentativas de estabelecer um acesso intravenoso, que não tiveram sucesso. Nenhum medicamento letal chegou a ser administrado. Creech continua preso no corredor da morte.
Thomas Eugene Creech em 2009
AP
Kenneth Smith (Alabama, 2022)
O caso de Kenneth Smith ganhou repercussão internacional em novembro de 2022, quando autoridades do Alabama passaram mais de uma hora tentando encontrar uma veia para aplicar a injeção letal. O procedimento foi interrompido após repetidas tentativas fracassadas.
Smith alegou ter sofrido dores físicas e psicológicas durante o episódio. Segundo relatos reproduzidos pela imprensa americana, ele chegou a ser colocado em diferentes posições pelos funcionários enquanto as tentativas continuavam.
Condenado por participar de um assassinato por encomenda em 1998, Smith foi executado no Alabama em 25 de janeiro de 2024, por hipóxia de nitrogênio, tornando-se a primeira pessoa da história dos Estados Unidos morta por esse método.
Kenneth Smith, homem condenado à pena capital no estado do Alabama, nos EUA
Reuters
Alan Miller (Alabama, 2022)
Outro caso emblemático é o de Alan Eugene Miller. Em setembro de 2022, o condenado foi submetido a uma tentativa de execução por injeção letal que durou cerca de 90 minutos. Segundo relatos citados pela imprensa, ele foi perfurado repetidamente enquanto a equipe buscava acesso venoso para administrar as drogas.
A execução acabou suspensa pouco antes do encerramento do prazo legal para cumprimento da sentença. Miller sobreviveu ao procedimento e permaneceu no corredor da morte.
Condenado pela morte de três colegas de trabalho em 1999, ele fez um acordo com o estado para que qualquer nova tentativa fosse feita apenas com gás nitrogênio. Foi executado dessa forma em 26 de setembro de 2024.
Autoridades escoltam Alan Eugene Miller, condenado à morte, em 5 de agosto de 1999
Dave Martin/AP/Arquivo
Romell Broom (Ohio, 2009)
O caso mais famoso antes de Smith ocorreu em Ohio, em 2009. Romell Broom sobreviveu após funcionários da prisão realizarem 18 tentativas para localizar uma veia adequada para a aplicação dos medicamentos. Em determinado momento, segundo relatos da época, o próprio condenado chegou a sugerir outros locais do corpo para a inserção das agulhas.
Após horas de tentativas, a execução foi suspensa. A defesa classificou o episódio como tortura. Broom nunca voltou a ser executado e morreu na prisão em 2020, após complicações causadas pela Covid-19.
Romell Broom, que sobreviveu a uma tentativa fracassada de execução em 2009 e que morreu em 28/12/2020
Ohio Department of Rehabilitation and Correction via AP/Arquivo
Caso único
Vídeo mostra Christa Pike, que sobreviveu à injeção letal, durante julgamento em 1996
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center (Centro de Informações sobre a Pena de Morte), afirmou que o que ocorreu com Pike é "algo único e sem paralelo".
Robin disse que outras sete pessoas sobreviveram a problemas médicos decorrentes da incapacidade das equipes de execução de acessar uma veia para administrar os medicamentos, mas que ninguém havia permanecido vivo após receber as drogas usadas nas execuções.
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Montagem com fotos dos condenados à pena de morte nos Estados Unidos: Thomas Eugene Creech, Kenneth Smith, Romell Broom e Alan Eugene Miller
Montagem/g1