Avalanche de lama no Nepal e Tibete: o que se sabe até agora e o que falta esclarecer
26/08/2026
(Foto: Reprodução) Pessoas fogem de deslizamento de terra na fronteira do Nepal com o Tibete
A região da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na cordilheira do Himalaia, foi alvo de um grande desastre natural nesta quarta-feira (26).
Uma avanlanche de rochas, lama e gelo atingiu repentinamente vilas da região, deixando 98 mortos, mais de 840 desaparecidos, destruindo pontes e engolindo casas, carros, um posto de controle e vilarejos inteiros.
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Veja o que se sabe, até agora, sobre o episódio, um dos piores desastres naturais da história recente da região:
O que aconteceu
Na manhã desta quarta-feira, por volta das 10h30 no horário local (por volta das 23h de terça-feira pelo horário de Brasília), um rio na fronteira entre o Nepal e o Tibete encheu rapidamente e foi tomado por uma enorme avalanche.
A inundação repentina causou uma enchente que atingiu diversas casas e vilarejos inteiros, além de destruir um posto de controle, o de Gyirong, no Tibete. Estradas e pontes também foram carregadas pela força da água.
Muitas pessoas também foram atingidas. Imagens registradas por câmeras de vigilância e por moradores e divulgadas ao longo do dia mostraram pessoas tentando fugir da avalanche.
Veja o que já se sabe sobre a tragédia abaixo:
Imagens mostram inundação devastadora em vilas do Nepal
Onde ocorreu o desastre?
Qual o número de mortos e desaparecidos?
Qual a nacionalidade dos turistas desaparecidos?
O que causou a tragédia?
O que dizem as autoridades
Infográfico sobre tragédia na fronteira do Nepal com o Tibete (atualizado 11h30)
Dhara Pereira / Arte g1
Onde ocorreu o desastre?
O desastre atingiu a região montanhosa da fronteira entre o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, e o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete.
No lado nepalês, as áreas de Syapru Besi e Timure, próximas ao rio, aparecem entre as mais afetadas.
No lado tibetano, uma avalanche de lama, água e rochas atingiu o porto terrestre de Gyirong, importante passagem de turistas entre Nepal e China, localizada na região de Shigatse.
O deslizamento interrompeu estradas, comunicações e o fornecimento de energia no lado chinês. No Nepal, a enxurrada destruiu casas, pontes, estradas e instalações de geração de energia.
Qual o número de mortos e desaparecidos?
De acordo com o último balanço divulgado pelas autoridades, por volta das 11h do horário de Brasília, o número de mortos chegou aos 95.
Mais de 400 pessoas ainda estão desaparecidas, sendo 341 turistas.
Qual a nacionalidade dos turistas desaparecidos?
Um levantamento preliminar do Conselho de Turismo do Nepal identificou 341 viajantes reportados como desaparecidos nas áreas afetadas. Entre os países com cidadãos desaparecidos estão:
Índia: 105
Malásia: 17
Reino Unido: 12
África do Sul: 4
Estados Unidos: 3
Austrália: 1
Países Baixos: 1
Indianos não residentes: 37
Nacionalidade ainda não confirmada: 161
A agência de notícias sul-coreana Yonhap informou separadamente que cerca de oito cidadãos do país, trabalhadores da hidroelétrica local, também estão desaparecidos.
O Itamaraty ainda não tem informações sobre brasileiros no local.
O que causou a tragédia?
Um terremoto de magnitude 4,4, com epicentro a 10 quilômetros de profundidade, registrado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) na região, pouco antes do incidente, pode ter causado o deslizamento e as inundações.
A suspeita é de que o tremor tenha desencadeado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, do lado nepalês, provocando as inundações.
A região havia passado por intensas chuvas antes, que estava congeladas e represadas. Com o tremor, esse gelo foi rompido e a água liberada com intensidade. Isso explica a enchente repentina.
O que dizem as autoridades
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, convocou uma reunião de emergência da autoridade nacional responsável pela gestão de desastres.
Segundo ele, policiais, militares, equipes médicas, escoteiros e integrantes da Cruz Vermelha foram mobilizados. As operações aéreas, porém, estavam prejudicadas porque o nível da água impedia o pouso de helicópteros nas áreas mais afetadas.
Do lado chinês, o presidente Xi Jinping determinou esforços máximos para localizar os desaparecidos e pediu o reforço do monitoramento e dos sistemas de alerta contra novos desastres.
As autoridades também alertaram para o risco de uma segunda inundação, porque um bloqueio de gelo e rochas permanecia no curso superior do rio Lhende Khola, com água acumulada atrás da barreira. Alertas de cheia chegaram a ser emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh.