China rejeita acusações de trabalho forçado e critica novas tarifas propostas pelos EUA
03/06/2026
(Foto: Reprodução) EUA incluem Brasil em lista de 60 países que falham no combate ao trabalho forçado
A China afirmou nesta quarta-feira (3) que se opõe a tarifas “unilaterais” e negou acusações de uso de trabalho forçado, após os Estados Unidos proporem novas tarifas sobre importações de cerca de 60 economias.
Nesta terça-feira (2), uma investigação dos EUA concluiu que esses países, entre eles China e Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
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Em resposta, o governo chinês rejeitou as alegações e afirmou que não há base para as acusações feitas por Washington.
“Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em coletiva de imprensa.
A medida dos EUA inclui a China entre as economias potencialmente afetadas e faz parte de uma estratégia mais ampla de endurecimento comercial com base em critérios ligados a direitos trabalhistas e práticas de cadeia de suprimentos.
Além da China, outros países também reagiram. O governo do Reino Unido afirmou estar em diálogo constante com Washington e tem adotado medidas para combater o trabalho forçado em cadeias de produção domésticas e globais, destacando que mantém negociação com os EUA sobre o tema.
Os mercados asiáticos reagiram de forma mista ao cenário de maior tensão comercial. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,6%, enquanto bolsas da China continental fecharam em leve alta, com o CSI300 avançando 0,5% e o Xangai subindo 0,2%.
Já o setor de semicondutores liderou ganhos, apoiado por expectativas positivas relacionadas à demanda por inteligência artificial.
Em meio às preocupações comerciais, dados econômicos mostraram que a atividade do setor de serviços chinês cresceu no ritmo mais forte em três meses em maio, impulsionada por novos negócios e melhora na demanda externa.
Analistas do Goldman Sachs mantiveram visão positiva sobre ações chinesas A-share, citando melhora nas perspectivas de crescimento e exposição ao setor de tecnologia.
Entenda a nova proposta de sobretaxa
Uma investigação dos EUA concluiu, nesta terça-feira que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a mesma usada para justificar a proposta de tarifa de 25% contra produtos brasileiros. Ainda não está claro se as tarifas serão cumulativas.
O Brasil foi incluído no grupo que poderá enfrentar a sobretaxa de 12,5%, ao lado de China, Índia, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul.
Segundo o relatório, o país não possui mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado em outros países.
Os EUA argumentam que essa falha cria concorrência desleal para empresas e trabalhadores americanos e contribui para a manutenção do trabalho escravo moderno nas cadeias globais de produção.
A proposta ainda não entrou em vigor. O governo americano receberá contribuições públicas até 6 de julho, e realizará audiências sobre o tema em 7 de julho antes de decidir sobre a implementação das tarifas.
Veja a reação de outros países
Alemanha
Um porta-voz do governo alemão afirmou nesta quarta-feira (3) que a decisão dos EUA não se aplica ao país, reiterando que a Alemanha manterá o acordo vigente entre os americanos e a União Europeia.
Segundo o tratado, firmado no ano passado, a UE removeria as tarifas sobre produtos americanos, enquanto Washington se comprometeria a impor uma tarifa máxima de 15% sobre a maioria dos produtos da região.
"Saudamos o acordo político alcançado no trílogo sobre a implementação do acordo pela UE e apoiamos a rápida entrada em vigor dos regulamentos relevantes da UE como uma contribuição para a estabilização das relações comerciais transatlânticas", disse o ministério da economia alemão em comunicado.
França
O ministro do comércio francês, Nicolas Forissier, afirmou que a tarifa imposta por Trump não se aplica ao país.
"Se entendi corretamente, refere-se a investigações ligadas a potenciais suspeitas de trabalho forçado. Como sabe, este não é o caso da França ou da União Europeia, que sempre esteve na vanguarda desta questão. Portanto, não me sinto, e nós não nos sentimos, preocupados", afirmou à Reuters.
União Europeia
A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira que as tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos são injustificadas e reiterou seu compromisso com o acordo comercial firmado com Washington no ano passado.
"A UE considera injustificadas as tarifas impostas por esses motivos", disse um porta-voz. "Do lado da UE, estamos no caminho certo para garantir a implementação dos compromissos tarifários de nossa Declaração Conjunta até o final de junho."
México
O Ministério da Economia do México afirmou que o comércio em conformidade com o acordo Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) estará isento da tarifa proposta por Trump, destacando que a proposta também isenta automóveis, aço e alumínio.
A Pasta mexicana também informou que pretende realizar conversas com o representante comercial americano nos próximos 45 dias a respeito das remessas que não estejam dentro do USMCA.
*Com informações da Reuters
Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026
REUTERS/Tingshu Wang