Com veto de China e Rússia, Conselho de Segurança da ONU rejeita uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz
07/04/2026
(Foto: Reprodução) Sessão no Conselho de Segurança da ONU que votou e rejeitou resolução permitindo uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026.
Jeenah Moon/ Reuters
Com vetos da China e da Rússia, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou nesta terça-feira (7) uma resolução que previa o uso da força no Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra com Israel e os Estados Unidos.
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➡️ A resolução estipulava que países poderiam usar “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito, um dos grandes pontos de tensão da guerra no Oriente Médio (leia mais abaixo).
No entanto, a medida já enfrentava oposição da China, Rússia e França, três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — os membros permanentes têm o poder de vetar qualquer medida em votação
Os três diziam não concordar com o ponto do texto que autorizava que países empregassem "qualquer medida necessária" para abrir caminho à navegação no Estreito de Ormuz. A votação, que inicialmente ocorreria na semana passada, foi adiada para tratativas entre diplomatas para tentar desbloquear os vetos.
Em uma das manobras para tentar o apoio de China e Rússia, o Bahrein, país que propôs a resolução, retirou do texto uma referência à aplicação obrigatória da medida. O esboço final autoriza o uso da força "por um período de pelo menos seis meses (...) e até que o Conselho decida de outra forma".
A França concordou em apoiar a medida após as negociações, mas Rússia e China se negaram a apoiá-la mesmo após a flexibilização. Embora venha adotando uma postura neutra na guerra, a China costuma mostra alinhamento pragmático com Irã, de quem é o principal comprador de petróleo.
A votação ocorreu ainda em um dia decisivo no conflito, por conta do ultimato dado por Donald Trump para a reabertura do Estreito de Ormuz. EUA e Israel também intensificaram ataques nesta terça (leia mais abaixo).
O governo do Bahrein, que atualmente ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança, vai tentar recolocar a medida para votação.
O que previa o texto da resolução:
O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, durante votação da resolução que autorizava o uso da força no Estreito de Ormuz, em 7 de abril de 2026.
Jeenah Moon/ Reuters
A última versão do projeto de resolução condena os ataques iranianos contra navios e "encoraja fortemente os Estados" envolvidos a "coordenar esforços, de natureza defensiva e proporcionais às circunstâncias, para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, inclusive escoltando navios mercantes e comerciais".
O texto também exige que o Irã "cesse imediatamente todo ataque contra os navios" que transitam por essa via marítima e "toda tentativa" de impedir a livre navegação.
Além disso, indica que o Conselho poderá "considerar outras medidas" contra aqueles que a comprometam.
Dia decisivo
A guerra no Oriente Médio entrou em um dia decisivo nesta terça-feira (7). A manhã foi marcada por intensos ataques na região, a poucas horas do fim do prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Irã reabrir totalmente o Estreito de Ormuz.
Em meio à escalada militar, tanto Trump quanto o Irã dobraram apostas e renovaram ameaças. O presidente dos EUA afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite", caso o regime iraniano não reabra a via marítima. Já o Irã manteve o tom desafiador.
Veja, abaixo, o que ocorreu nesta terça:
Irã sob bombardeio intenso em dia crucial da guerra
Donald Trump renovou o ultimato que deu ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. Na tentativa de pressionar Teerã, disse, em uma postagem em sua rede social Truth Social, que "uma civilização inteira morrerá esta noite", em referência a ataques que promete fazer caso o prazo não seja atendido;
Antes mesmo de o ultimato expirar, os EUA já atacaram a estratégica ilha de Kharg, no Irã, segundo o vice-presidente J.D. Vance. Kharg, que estoca cerca de 90% de todo o petróleo produzido no Irã, foi atacada pela 2ª vez na guerra, mas sua infraestrutura petrolífera foi poupada novamente;
Israel também não esperou o prazo e anunciou ter feito "amplos ataques" ao redor do território iraniano nesta terça, atingindo pontes, trens, aeroportos e edifícios. Entre os alvos estão uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país. Uma petroquímica em Shihaz, também foi atingida;
Várias explosões atingiram Teerã, e uma delas matou 9 pessoas, segundo a mídia local. Israel pediu que iranianos não viajassem em trens, e ataques a ferrovias já foram registrados;
O Irã revidou. Convocou a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e anunciou que a época 'de boa vizinhança' com países do Golfo acabou e que abandonará qualquer contenção em novos ataques.
O regime iraniano manteve o tom desafiador. Em entrevista à agência Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que o país não vai reabrir Ormuz em troca de "promessas vazias" e ameaçou fechar também a via marítima de Bab el-Mandeb, "se a situação sair do controle". A fonte da agência Reuters iraniana ameaçou ainda deixar "todo o Oriente Médio no escuro" se os EUA atacarem as usinas de energia do Irã.
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