Eleições no Peru: Fujimori alcança vantagem irreversível sobre Sánchez
24/06/2026
(Foto: Reprodução) Eleições no Peru: Keiko Fujimori alcança vantagem irreversível e deve ser eleita.
A candidata de direita à presidência do Peru Keiko Fujimori alcançou uma vantagem insuperável na apuração dos votos do segundo turno das eleições do país. Com isso, Fujimori deve ser confirmada a nova presidente do Peru.
✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
➡️A direitista enfrentou Roberto Sánchez, da esquerda, no segundo turno das eleições peruanas, que ocorreu no início de junho. A apuração dos votos, que pode demorar mais de um mês no total, mostrou um cenário de forte polarização no país. A diferença de votos entre os dois chegou a ser de 0,1 ponto percentual.
Na noite de terça-feira (23), no entanto, Fujimori avançou, e a margem entre os dois candidatos ficou maior que o número de votos ainda a serem apurados.
👉 Até a última atualização da contagem de votos, na manhã desta quarta-feira (24), Fujimori tinha 9.206.241 votos, frente aos 9.162.855 de Sánchez — uma diferença, portanto, de 43.386. Com 99,859% das urnas apuradas, faltavam, ainda, cerca de 40 mil votos a serem contabilizados — mesmo que Sánchez levasse todos os votos restantes, Fujimori seguiria à frente.
A imprensa peruana afirma que Fujimori deve ser declarada a nova presidente do Peru ainda nesta quarta, apesar de o adversário Sánchez não reconhecer o resultado (leia mais abaixo). A direitista substituirá o atual presidente, José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu o poder de forma interina há apenas quatro meses.
Zelada substituiu o ex-presidente José Jeri, que também ficou no cargo por apenas quatro meses e foi destituído pelo Congresso por má conduta após vir à tona que ele participou de reuniões não divulgadas com empresários chineses. Sua antecessora, Dina Boluarte, também foi destituída por escândalos de corrupção.
Boluarte também era interina e havia substituído o ex-presidente Pedro Castillo, que foi preso após dissolver o Congresso e declarar estado de exceção, em uma manobra para tentar driblar um processo de impeachment.
As crises foram só as últimas envolvendo presidentes do Peru, que vive na última década um dos piores períodos de instabilidade política de sua história. Só nos últimos oito anos, o país andino teve oito presidentes.
O candidato presidencial de esquerda do Peru, Roberto Sánchez, usa um megafone para discursar para seus apoiadores durante um protesto
REUTERS/Alessandro Cinque
Recontagem
Na terça-feira (23), Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou seus apoiadores para novas marchas de protesto no sábado (27). O esquerdista disse ainda que pedirá recontagem.
"Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori", disse Sánchez, acusando a ONPE, autoridade eleitoral do Peru, e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos depositados no exterior.
As autoridades eleitorais peruanas já vêm revisando as cédulas contestadas do segundo turno de 7 de junho há pouco mais de duas semanas.
Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, chegou a liderar a apuração durante dias, mas Keiko Fujimori, do Fuerza Popular, voltou a passar à frente devido aos votos de cidadãos peruanos no exterior.
Na segunda-feira (22), o candidato de esquerda apresentou um novo recurso para anular os votos dos peruanos residentes fora do país.
Sánchez alega supostas irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior. Advogados especializados em direito eleitoral, ouvidos pelo jornal local El Comercio, afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a proclamação oficial dos resultados.
A candidata presidencial de direita do Peru, Keiko Fujimori, e o candidato de esquerda Roberto Sánchez antes de um debate televisionado em 31 de maio em Lima, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 7 de junho.
Reuters/Alessandro Cinque