Lula chega à França para reunião do G7; governo vê chance de reunião com Trump
15/06/2026
(Foto: Reprodução) Lula chega como convidado para reunião da cúpula do G7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar da reunião de líderes dos países do G7, marcada para esta terça-feira (16).
O governo trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula. Mas não há reunião previamente marcada entre os presidentes.
A estratégia do Palácio do Planalto era garantir a chegada de Lula ainda nesta segunda, primeiro dia do evento, diante da possibilidade de Trump participar apenas da abertura da reunião, repetindo o que ocorreu no encontro do G7 realizado no Canadá no ano passado.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua chegada ao G7, , em Évian-les-Bains - França.
Ricardo Stuckert/PR
Não houve uma orientação de Lula para que seus auxiliares pedissem uma reunião bilateral com Trump. Também não houve nenhuma solicitação de encontro por parte da Casa Branca.
A falta de pedidos formais dos dois lados, no entanto, não é vista como um impeditivo para uma reunião.
O possível encontro ocorreria após uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros que pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas.
No governo, a avaliação é que:
a proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação.
já a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
🌎O Brasil não integra o G7, porém, Lula tem sido convidado para encontros do grupo desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023. O G7 reúne algumas das maiores economias do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Emmanuel Macron em coletiva de imprensa antes do G7
Emma Da Silva/Pool via REUTERS
Outras bilaterais
Lula irá se reunir com o anfitrião do encontro — o presidente da França, Emmanuel Macron. O encontro está previsto para esta segunda-feira (15).
Na sequência, o petista também deve se reunir com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
Na terça-feira (16), o presidente brasileiro deve ter uma reunião bilateral com a primeira ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Na agenda de Lula também há uma bilateral prevista com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes da cerimônia de chegada à cúpula do G7.
Lula também quer conversar com os líderes dos outros países que compõem o grupo — Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
Participação no G7
Lula deve adotar um tom crítico ao chamado protecionismo – por meio do qual um país ou um bloco adota medidas consideradas excessivas para proteger produtores locais em detrimento de estrangeiros – e o unilateralismo – termo usado na diplomacia para caracterizar medidas de um país contra outro sem que haja comunicações prévias ou negociações.
Segundo diplomatas, Lula passará o “recado” para os líderes do G7 de que é contra o tarifaço do governo americano sem apontar “o dedo na cara” do presidente dos Estados Unidos.
Na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, comandou uma reunião preparatória para o G7, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil no encontro.
De acordo com fontes diplomáticas, Mauro Vieira fez justamente essa defesa, de que organismos com a OMC precisam ter mais força para atuar, considerando o cenário econômico global com medidas sendo adotadas de forma unilateral, a exemplo do tarifaço de Trump.
Almoço sobre inteligência artificial
Uma das agendas previstas no G7 é um almoço para debater o tema da inteligência artificial. Lula deve argumentar que o Brasil não persegue as plataformas digitais nem tem discriminação por uma outra outra plataforma.
O presidente deve dizer que o Brasil está aberto para receber as operações de empresas de tecnologia, desde que atuem conforme as leis brasileiras.
Em uma das recomendações sobre o tarifaço contra o Brasil, o Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês) justifica a medida alegando que, entre outros pontos, o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia