'Mereceu', 'monarquia não está acima da lei': britânicos celebram prisão do ex-príncipe Andrew
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Ex-príncipe Andrew é preso em meio a investigação sobre ligações com Epstein
Os britânicos receberam com alegria nas ruas de Londres, nesta quinta-feira (19), a prisão do ex-príncipe Andrew que, segundo eles, mostra que a monarquia não está acima da lei.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
“Estou satisfeita. (...) Eu não achava que isso fosse acontecer, achei que ele iria se esconder e sair impune”, afirmou Mônica, uma aposentada de 76 anos, à agência de notícias Reuters.
A polícia do Vale do Tâmisa prendeu o ex-príncipe na manhã desta quinta-feira, no dia em que completa 66 anos, por "suspeita de má conduta no exercício de um cargo público", uma acusação relacionada ao caso Epstein, no período em que ele atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional.
A prisão de Andrew consolidou a derrocada do ex-príncipe, que antes era "o queridinho" da rainha Elizabeth II, morta em 2022, e dos britânicos e nas últimas semanas perdeu seu título de príncipe e se tornou vergonha da família real britânica por conta dos laços com o criminoso sexual Jeffrey Epstein revelados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
'Merece totalmente'
“Aconteça o que acontecer com Andrew, acho que ele merece totalmente. (...) Espero que ele receba o que merece. Se for prisão perpétua, então que seja. Se for exílio, então que seja exílio”, afirmou à Reuters um médico do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla em inglês) que não foi identificado.
Andrew foi preso devido a alegações de que teria repassado informações confidenciais a Epstein quando ainda ocupava o cargo, entre 2001 e 2011.
Príncipe Andrew em foto de 11 de abril de 2021
Steve Parsons/Pool via AP, Arquivo
Poderosos precisam ser responsabilizados
"É apenas, eu suponho, um sinal do mundo em que vivemos, onde o poder não tem responsabilidade. Nem ética. E ele [Andrew Mountbatten-Windsor] vem de um histórico de corrupção, de estar acima da lei", afirmou à Reuters o professor aposentado Michael Temple.
'Deveria ter sido preso há muito tempo'
"Estou satisfeita. Ele deveria ter sido preso há muito tempo", disse à agência de notícias AFP a advogada Emma Carter.
Segundo outras suspeitas, que não pautaram a detenção nesta quinta, o ex-príncipe teria mantido relações sexuais no Reino Unido com jovens que lhe teriam sido enviadas por Epstein.
'Boa notícia para as vítimas'
Emma Carter disse à AFP se lembrar especialmente das vítimas de Epstein neste momento e considera que, apesar de tudo, a prisão é "uma boa notícia para elas".
"É uma mensagem forte (...) Ele merece, se escondeu atrás dos privilégios e da popularidade da rainha [Elizabeth II, sua mãe] durante muito tempo", disse Carter. A londrina também afirmou sentir-se "triste pelo rei Charles III, que sofre de câncer e provavelmente não estava totalmente ciente do passado de seu irmão".
'Gota d'água', diz monarquista
Floyd Stevenson, outro londrino entrevistado pela Reuters, é um monarquista e mesmo assim ele elogiou a prisão de Andrew. "Eu acompanho a família real e os apoio. Então, ouvir isso vindo de um membro da família real é realmente, sabe, é a gota d’água", afirmou.
'Justiça britânica funciona'
"Pensavam que eram intocáveis, é bom saber que não estão acima da lei, isso mostra que a Justiça britânica funciona", afirmou à AFP a aposentada Maggie Yeo.
Ex-príncipe Andrew é preso na Inglaterra
'Andrew tem que ser interrogado'
Kevin, um aposentado que também não escondeu sua alegria após a notícia, aproveitou para criticar Andrew, quem considera "arrogante" e "pouco inteligente". "Não tenho nada contra a família real. Mas ele não dá bom exemplo", disse o homem à AFP. Ele também defende que o ex-príncipe "tem que ser interrogado" sobre o seu período como representante especial britânico para o Comércio Internacional.
Uma pesquisa do instituto YouGov publicada na segunda-feira indicava que cerca de dois terços dos britânicos (62%) consideravam "improvável" que o ex-príncipe, que sempre negou as acusações, pudesse ser acusado.
A satisfação visível nesta quinta-feira nas ruas de Londres perante o anúncio da detenção também reflete a forte impopularidade do irmão do rei devido à sua amizade com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019.