O que era o acordo nuclear com o Irã que Obama assinou e Trump abandonou? Entenda

  • 03/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vamos levar o tempo que for necessário, diz Trump sobre ofensiva contra o Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o acordo nuclear firmado em 2015 entre o governo de Barack Obama e o Irã. O pacto previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções internacionais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A fala ocorre dois dias desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel ao país. Desde 28 de fevereiro, bombardeios atingiram alvos ligados ao regime iraniano, incluindo integrantes da cúpula militares -- entre eles o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Nesta segunda-feira (2), Trump disse estar "muito feliz de ter derrubado o horrível acordo nuclear" firmado pelo ex-presidente Barack Obama com os iranianos. A saída dos EUA ocorreu em 2028, durante seu primeiro mandato. O acordo tinha como objetivo reduzir a capacidade nuclear do Irã e evitar a produção de bomba atômica. Em troca, países que impunham sanções econômicas suspenderiam as restrições financeiras e comerciais. Críticos do pacto, entre eles Israel, afirmam que parte dos recursos liberados foi usada pelo regime iraniano para financiar grupos armados no Oriente Médio (entenda abaixo). Como resultado da retirada dos EUA do acordo, o Irã retomou o programa nuclear e passou a enriquecer mais urânio, desta vez sem qualquer fiscalização. INFOGRÁFICO - Mapa mostra locais dos ataques no Irã e a retaliação. Arte/g1 Acordo selado em 2015 O acordo para limitar o programa nuclear foi selado na Áustria, em 2015, com EUA, Irã e outros cinco países (Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha). As negociações duraram cerca de 20 dias até a assinatura do texto final. Obama e o então presidente iraniano, Hassan Rohani, participaram da definição dos termos. "Todos os caminhos em direção a uma arma nuclear estão cortados", disse Barack Obama na ocasião, após o acordo. Barack Obama fala sobre o acordo nuclear com o Irã, em foto de 2015 Andrew Harnik/Reuters O acordo estabeleceu, entre outros pontos: redução da capacidade nuclear e reservas de urânio fazer pesquisa e desenvolvimento com urânio para centrífugas avançadas, de forma a não acumular urânio enriquecido e autorização para inspeções profundas dos EUA em instalações iranianas. À época, o documento previa o uso nuclear apenas para fins pacíficos. Em contrapartida, Estados Unidos, União Europeia e Organização das Nações Unidas (ONU) retirariam sanções econômicas impostas ao país. Caso cumprisse, o país receberia em troca: liberação de ativos congelados; redução de sanções econômicas; cancelamento, após 3 décadas, de restrições impostas contra a aviação do país, o Banco Central iraniano, o Exército e estatais; tirar o Irã da lista de países sancionados pela ONU. Secretário-geral da ONU na oportunidade, Ban Ki-moon disse que o acordo poderia "contribuir de maneira essencial à manutenção da paz e à estabilidade na região e fora dela". Ainda em seu primeiro governo como presidente dos Estados Unidos, em 2018, Donald Trump anunciou a retirada do país do acordo. Ao anunciar a decisão, Trump chamou o acordo de desastroso e disse que o "pacto celebrado jamais deveria ter sido firmado", por não prover garantias de que o Irã teria abandonado os mísseis balísticos. Leia também: Trump defende ataque ao Irã e confirma que conflito seguirá por 'quatro ou cinco semanas' Israel anuncia ataque contra sede da TV estatal do Irã; mídia iraniana confirma explosões Irã diz que Estreito de Ormuz está fechado e ameaça incendiar navios EUA usaram inteligência artificial Claude, rival do ChatGPT, em ataque ao Irã, diz jornal Ministro do Irã diz que assassinato de Khamenei foi 'crime religioso' e promete 'sérias consequências' Lista de líderes mortos e sobreviventes do Irã após ataque coordenado de Israel e EUA. Reprodução/TV Globo/Fantástico Acordo foi 'rendição histórica' para Israel Aliado dos EUA, Israel criticou o acordo desde o momento em que foi fechado e o chamou de "rendição histórica". O governo israelense sustenta, desde o pacto, que o Irã utilizou parte dos recursos liberados após o alívio das sanções para financiar grupos armados que atuam no Oriente Médio. Entre os grupos financiados pelo regime iraniano está o Hamas, responsável pelo ataque terrorista a Israel em 7 de outubro de 2023, com mais de mil mortos -- e responsável pelo início da guerra na Faixa de Gaza. Mulher chora após ataque em Tel Aviv, em Israel, em 7 de outubro de 2023 REUTERS/Itai Ron "O Irã é o principal financiador de terrorismo em toda a região do Oriente Médio", afirmou, em 2023, o então porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel, Lior Haiat. Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reforçou após os ataques feitos desde o dia 28 de fevereiro que a ação tenta evitar a produção de armas nucleares. "Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares", disse. Entenda a cronologia do programa nuclear do Irã: 1953: Golpe apoiado pelos Estados Unidos consolida o poder do xá Reza Pahlavi, que se torna peça-chave na estratégia americana de contenção da União Soviética durante a Guerra Fria. 1957: Início do programa nuclear iraniano com incentivo dos Estados Unidos. O Irã aderiu ao programa “Átomos para a Paz”. A iniciativa previa o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos. 1979: Revolução Islâmica derruba o xá. Em pouco tempo, os aiatolás assumem o poder no Irã. 1987: O programa nuclear passa a ser usado pelo regime islâmico como trunfo contra seus inimigos, Estados Unidos e Israel. 2015: Irã e governo Obama chegam a um acordo. Em troca de alívio nas sanções econômicas, o país aceita limitar o enriquecimento de urânio, sob controle das Nações Unidas. 2018: No primeiro mandato, Donald Trump retira os Estados Unidos do acordo, classificando-o como “o pior de todos os tempos”. Após 2018: Sem fiscalização, o Irã retoma o programa nuclear e passa a enriquecer mais urânio. 2025: O confronto chega ao auge com ataques americanos contra complexos nucleares de Danz, Isfahan e Fordham. Em Fordham, havia 2.700 centrífugas, que provavelmente foram destruídas. 2026: Após semanas de negociações para tentar limitar ou encerrar as atividades do país, americanos e israelenses lançaram neste sábado (28) um ataque coordenado contra o território iraniano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visita a Faixa de Gaza, durante uma trégua temporária entre o Hamas e Israel. A imagem foi obtida pela Reuters em 26 de novembro de 2023 Avi Ohayon/GPO via Reuters

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/03/o-que-era-o-acordo-nuclear-com-o-ira-que-obama-assinou-e-trump-abandonou-entenda.ghtml


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