Países europeus rejeitam pedido de Trump para patrulhar o Estreito de Ormuz: 'Não é nossa guerra'
16/03/2026
(Foto: Reprodução) Trump tenta arrastar aliados para a guerra no Oriente Médio
Ao menos três países europeus recusaram nesta segunda-feira (16) o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que enviassem navios militares ao Estreito de Ormuz. Alemanha, Itália e Grécia já afirmaram nesta manhã que não participarão de um plano conjunto para que aliados dos EUA ajudem a manter a passagem pelo estreito aberta.
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➡️ No fim de semana, Trump pressionou aliados europeus e sócios da Otan, a aliança militar do Ocidente, para que ajudassem a patrulhar o Estreito de Ormuz, via marítima no Oriente Médio por onde passam embarcações transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo. O Irã diz controlar o canal e tem atacado embarcações comerciais que passam por lá.
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou na segunda-feira que a Alemanha não participará com suas forças armadas da segurança do Estreito. "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos", disse Pistorius;
Já o chanceler da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a diplomacia é o caminho certo para resolver a crise no Estreito de Ormuz e que não há missões navais em que a Itália esteja envolvida que possam ser estendidas à região;
Um porta-voz do governo da Grécia declarou que seu país não se envolverá em operações militares no Estreito de Ormuz.
Nesta manhã, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou ainda não ter decidido se atenderá ao pedido de Trump, mas disse estar dialogando com aliados para tentar "bolar um plano" para garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
"Ainda não chegamos a uma decisão", declarou Starmer.
A França ainda não havia respondido à pressão de Trump até a última atualização desta reportagem, mas o presidente francês, Emmanuel Macron, já disse anteriormente que trabalha com países parceiros em uma possível missão internacional no estreito. Macron afirmou, no entanto, que isso só ocorreria quando os combates diminuírem.
Já o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul afirmou que “tomou nota” do pedido de Trump e que “coordenará de perto e analisará cuidadosamente” a situação com os EUA. E há expectativa de que Trump faça um pedido direto ao Japão quando a primeira-ministra Sanae Takaichi se reunir com ele na quinta-feira na Casa Branca.
SANDRA COHEN: Na 3ª semana da guerra, Irã exibe capacidade de sobrevivência enquanto Trump emite sinais confusos
No domingo (15), Trump disse ter exigido que cerca de sete países enviem navios de guerra para manter aberto o Estreito de Ormuz, em uma tentativa de conter a alta nos preços do petróleo, que disparam durante a guerra com o Irã.
O presidente se recusou a identificar os países com os quais disse negociar para formar uma coalizão que patrulhe a via marítima. Mas fez pressão especial à China, que afirmou receber cerca de 90% de seu petróleo pelo estreito, enquanto os EUA recebem uma quantidade mínima.
Um porta-voz da embaixada chinesa nos EUA, Liu Pengyu, disse que “todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e sem interrupções” e que a China “fortalecerá a comunicação com as partes relevantes” para reduzir as tensões.
Em entrevista ao jornal "Financial Times", Trump pressionou também a Otan, a aliança militar do Ocidente, a enviar embarcações militares ao Estreito de Ormuz.
“Estou exigindo que esses países venham e protejam seu próprio território, porque é o território deles”, disse Trump sobre o estreito, afirmando que a rota marítima não é algo de que os EUA precisem, já que têm seu próprio acesso ao petróleo.
Irã sinaliza abertura parcial do Estreito de Ormuz
O presidente Donald Trump fala com repórteres a bordo do Air Force One, no domingo, 15 de março de 2026, a caminho de West Palm Beach, Flórida, para a Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland.
AP/Mark Schiefelbein
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados.
Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os norte-americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado.
Novos ataques com mísseis e drones
Novo líder supremo do Irã diz que Estreito de Ormuz seguirá fechado
No Golfo Pérsico, Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein relataram novos ataques com mísseis ou drones nesta segunda-feira. No domingo, o Irã pediu a evacuação de três grandes portos nos Emirados Árabes Unidos, na primeira ameaça de Teerã a instalações não pertencentes aos EUA no Golfo Pérsico.
O governo iraniano acusou os EUA de lançarem ataques na sexta-feira contra a ilha de Kharg — onde fica o principal terminal petrolífero iraniano. No domingo, o governo norte-americano divulgou imagens do ataque. Veja abaixo:
EUA divulgam vídeo do ataque à ilha de Kharg, no Irã
Cresce o impacto da guerra na região
No Irã, a Cruz Vermelha disse que mais de 1.300 pessoas morreram por conta dos ataques dos Estados Unidos e de Israel. O Ministério da Saúde iraniano afirmou que 223 mulheres e 202 crianças estão entre os mortos, segundo a agência oficial do Judiciário, Mizan.
Em Israel, 12 pessoas morreram por ataques de mísseis iranianos e outras ficaram feridas, incluindo três no domingo. Pelo menos 13 militares dos EUA morreram, seis deles em um acidente aéreo no Iraque na semana passada.
No Líbano, ao menos 820 pessoas morreram, segundo o Ministério da Saúde local, desde que o grupo apoiado pelo Irã Hezbollah atacou e Israel respondeu com bombardeios e envio de tropas adicionais ao sul do país. Em apenas 10 dias, mais de 800 mil pessoas — quase um em cada sete habitantes do Líbano — foram deslocadas.
Novos ataques iranianos contra Israel
Israel disse na madrugada de segunda-feira que o Irã lançou mísseis em direção ao território israelense. Antes disso, vários ataques atingiram o centro de Israel e a área de Tel Aviv, causando danos em 23 locais e provocando um pequeno incêndio.
Os militares israelenses afirmam que o Irã está disparando bombas de fragmentação, capazes de escapar de algumas defesas aéreas e espalhar "submunições" em vários pontos.
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