Secretário de Estado dos EUA nega que conversas com Irã travaram
02/06/2026
(Foto: Reprodução) Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em coletiva de imprensa na Casa Branca nesta terça-feira (5)
REUTERS/Evan Vucci
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou nesta terça-feira (2) que as negociações de paz com o Irã tenham sido interrompida, após Teerã afirmar ter cortado as conversas em retaliação a ataques de Israel no Líbano.
Em uma sabatina no Congresso dos EUA, Rubio afirmou ainda que o governo iraniano concordou em discutir aspectos de seu programa nuclear, o grande ponto de discordância entre os dois lados.
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"As conversas continuam", disse Rubio a deputados na sessão, a primeira do secretário de Estado no Congresso norte-americano desde o início da guerra no Oriente Médio.
Nesta terça, no entanto, fontes do governo iraniano disseram à agência de notícias Fars News, que negociadores iranianos e norte-americanos não se falam "há dias". O rompimento iraniano é uma reação a ataques que Israel tem feito em território libanês nos últimos dias, comprometendo o já frágil cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã.
O cessar-fogo e a busca por um acordo definitivo devem ser um dos principais questionamentos do deputados e senadores a Rubio ao longo do dia. A audiência do secretário de Estado seguia em andamento até a última atualização desta reportagem. Rubio, que é ex-senador republicano, também participará de outra audiência no Senado.
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Integrantes do governo, incluindo Rubio, têm defendido a decisão de Trump de iniciar o conflito, apesar das promessas feitas ao longo dos anos de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em "guerras sem fim" no Oriente Médio. Essa defesa, porém, foi dificultada pelas mudanças frequentes de Trump em relação aos objetivos da guerra
Embora esta seja a primeira vez que Rubio depõe perante o Congresso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ele já havia participado de uma reunião sigilosa com parlamentares poucos dias após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Na ocasião, enfrentou críticas de democratas pela falta de autorização prévia do Congresso para a operação, mas recebeu forte apoio da maioria dos republicanos.
Nos dois meses desde o início do conflito, porém, um grupo pequeno, mas crescente, de republicanos passou a se unir aos democratas para questionar o custo bilionário da guerra e seus impactos econômicos, especialmente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o segundo semestre.
A guerra reduziu o tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde, em tempos de paz, passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A interrupção elevou os preços dos combustíveis.
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No mês passado, o Senado avançou, pela primeira vez, uma proposta legislativa que obrigaria Trump a retirar os Estados Unidos do conflito. A medida ganhou força após o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, apoiar a iniciativa dos democratas. Cassidy havia acabado de perder uma eleição primária na qual Trump apoiou seu adversário.
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A Câmara dos Representantes também chegou a programar uma votação sobre uma resolução relacionada aos poderes de guerra do presidente, mas a liderança republicana impediu que a proposta chegasse ao plenário ao perceber que não teria votos suficientes para derrotá-la.
Os episódios evidenciam as dificuldades do Partido Republicano para manter apoio político à condução da guerra por Trump, à medida que parlamentares da base se mostram mais dispostos a contrariar o presidente.
Após as audiências desta terça-feira nas comissões de Relações Exteriores do Senado e de Apropriações da Câmara, Rubio retornará ao Capitólio na quarta-feira (3), quando será ouvido pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara e por uma subcomissão equivalente do Senado.
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Filho de imigrantes cubanos, Rubio também deve ser questionado sobre o endurecimento da política do governo Trump em relação a Cuba. O presidente americano tem sugerido que a ilha poderá se tornar o próximo alvo dos Estados Unidos após o encerramento das operações militares contra o Irã.
Apesar de uma série de reuniões entre autoridades americanas e cubanas, Trump e Rubio voltaram a fazer ameaças ao governo de Cuba, especialmente após a administração anunciar acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a acusação como uma manobra política destinada apenas a "justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba".
Ao longo de sua carreira política e agora como principal diplomata dos Estados Unidos, Rubio tem sustentado que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional americana devido aos seus vínculos com adversários de Washington e afirma que Trump está determinado a enfrentar essa questão.